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“Vemos treinadores sem experiência a terem oportunidades que eu ainda não tive”

João Henriques, treinador que levou o Santa Clara a registos históricos, criticou o peso que se dá no futebol português à experiência como jogador no momento de se escolher… o treinador.

Em entrevista ao portal Bola na Rede, o técnico, atualmente à espera do convite de um emblema com ambições europeias, salientou que um ex-jogador “tem a porta logo aberta” mesmo que não tenha demonstrado qualquer competência a orientar uma equipa.

“Atualmente, vemos treinadores sem experiência absolutamente nenhuma a terem oportunidades que eu ainda não as tive”, afirmou.

O passado como jogador de João Henriques é muito modesto, tanto que desistiu assim que entrou na Faculdade de Motricidade Humana, já com o intuito de aprender a ser treinador.

“Ia ser apenas mais um nesses campeonatos das terceiras e segundas divisões e que nunca chegaria à I Liga. Isso sabia-me a pouco”, explicou.

Com 23 anos, estagiou na equipa técnica dos sub-19 do Sporting. E percebeu que, ainda antes de chegarem a seniores, os jogadores já tinham “egos muito grandes”, em especial quando já contavam algumas internacionalizações.

As “grandes dificuldades” foram-se sucedendo, com João Henriques a não ter convites por falta de “experiência” como… jogador.

No futebol, reina o preconceito de que alguém com “muitos anos num balneário” tem capacidade para ser um bom treinador, insistiu.

“Eu precisei de 20 anos para chegar aos campeonatos profissionais e há outros que precisam de dois dias”, comentou.

A última época do Santa Clara comprova a “competência” de João Henriques. Os açorianos alcançaram a melhor classificação de sempre (nono lugar), com uma pontuação recorde (43 pontos), a melhor sequência de vitórias (quatro consecutivas) e o menor número de golos sofridos (41), entre outros registos.

Só que essa competência é pouca valorizada numa I Liga em que “ninguém tem paciência e todos são resultadistas”: basta ver o tempo que um técnico dura no mesmo clube, salvas poucas exceções.

Os dirigentes procuram “o treinador que está na moda” e, quando os resultados não aparecem, “reparam que não era aquilo que queriam”, pois nem sequer tinham definido o perfil do técnico mais adequado ao projeto pretendido.

“Os resultados vão mandar sempre, mas, se houver uma boa escolha, as pessoas também têm mais confiança e foi isso que aconteceu no Santa Clara. Quando me contactaram foi pelo meu perfil, forma de jogar e forma de estar e, depois, acreditaram que a escolha deles foi a correta, porque não houve sempre bons momentos”, sustentou.

Essa estabilidade beneficiou não apenas o treinador João Henriques, mas toda a estrutura do futebol, levando o Santa Clara a uma época histórica.

“Faz-me muita confusão que, como aconteceu esta época, passem dois, três, quatro ou cinco treinadores por um clube e não têm nada a ver nas suas ideias. Faz-me uma confusão tremenda. Não há um projeto. Não há uma ideia. Não há nada”, concluiu o técnico.

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