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Serie A: O líder do costume mas desta vez com mais concorrência

Após o terminus da primeira volta na Serie A italiana, é hora de realizar um balanço sobre aquilo que se passou nestas primeiras 19 jornadas. A análise do melhor e do pior, das revelações e desilusões, a confirmação ou o adiamento de objectivos delineados no início de época.

Tal como em épocas anteriores, a Juventus partia como grande favorita à conquista do Scudetto. A octocampeã italiana mudou de treinador, mas não de objectivo e Maurizio Sarri, que sucedeu a Allegri, tem como missão levar a Vecchia Signora à conquista de mais um título nacional. O plantel não sofreu alterações de vulto, mas entraram alguns reforços sonantes como Matthijs de Ligt, Rabiot, Ramsey ou os regressados Buffon e Higuaín. Já Cristiano Ronaldo manteve-se por Turim, ao contrário de João Cancelo. Ora, ao cabo da primeira volta do campeonato, a Juventus ocupa o lugar do costume, isto é, o 1.º posto, com 48 pontos, mais dois que o 2.º classificado, com a particularidade de já se ter deslocado ao terreno das formações que integram nesta fase o top-5 do Calcio. O conjunto de Turim não tem encantado ao nível do futebol praticado (muitas vezes ficou até muito aquém do exigível e só por 4 vezes venceu por mais de um golo de diferença), mas vai mantendo a regularidade pontual que o caracterizou nos últimos anos. Quanto a Cristiano Ronaldo, estrela portuguesa ocupa o 2.º lugar na lista de melhores marcadores, com 14 golos, formando dupla ora com Dybala ora com Higuaín, elementos altamente dotados a nível técnico e que muito têm contribuído para que o português possa aparecer a festejar. Por outro lado, na ausência de Chiellini, Bonucci tem sido um patrão com impacto nas duas áreas, ao passo que De Ligt tem tido dificuldades nesta época de estreia em Itália, perdendo inclusivamente o lugar para o ex-Sporting Merih Demiral.

Contudo, ao contrário de outras temporadas, desta vez a Juventus conta com uma concorrência mais feroz. Antonio Conte, antigo jogador e treinador dos Bianconeri, assumiu o comando técnico do Inter de Milão, com o objectivo de fazer renascer o colosso milanês. Marotta afirma que Conte é o melhor treinador do mundo a garantir resultados com planteis incompletos e o técnico de 50 anos tem levado o barco a bom porto, colocando o Inter a discutir a liderança taco a taco com a Juventus. Os Nerazzurri têm, nesta fase, mais sete pontos que na época passada e, apesar do plantel ser curto, têm conseguido dar resposta aos desafios internos. Para isso muito tem contribuído a dupla de ataque, formada por Lukaku e Lautaro Martínez, que representam 60% dos golos da equipa (24 de 40) e acrescentam ainda a sua agressividade e mobilidade na frente. Além da escassez de opções, sobretudo ofensivas, Conte teve já de lidar com várias lesões, nomeadamente do trio de reforços Barella, Sensi e Alexis Sánchez, que obrigou a uma grande mestria do italiano. Por outro lado, o Inter é também a melhor defesa do Calcio, algo já comum nas equipas de Conte, sendo que Godín, apesar do estatuto e do peso salarial, não tem sido indiscutível ao lado de De Vrij e Skriniar, permitindo por isso que o jovem Bastoni vá aparecendo.

Na perseguição encontra-se ainda a Lazio, que teria como objectivo lutar pelo top-4 e, nesta fase, encontra-se solidificada no 3.º lugar, a seis pontos do líder com um jogo em atraso, e com a Supertaça no bolso. Com mais 10 pontos que no ano anterior e um Ciro Immobile on fire (melhor marcador do campeonato com 20 golos), o conjunto laziale tem sido uma agradável surpresa. O plantel não é sequer um dos 5 melhores em Itália, mas Simone Inzaghi tem espremido ao máximo os seus recursos e conseguido apresentar um colectivo de alto rendimento. A estrelinha tem igualmente surgido em alguns momentos, mas o mérito dos Biancocelesti é imenso. Além de Immobile, nota muito positiva para outras figuras como Strakosha, o melhor guarda-redes da 1.ª volta; Acerbi, o líder da defesa e actual titular da sua selecção; Lucas Leiva, o tampão no miolo; Luís Alberto, jogador de uma classe sublime e o líder das assistências (11); Joaquín Correa, um agitador por excelência e o melhor parceiro de Ciro; e, por fim, Caicedo, que tem sido importante a sair do banco.

Já a rival AS Roma está a lutar pelo 4.º lugar com a fantástica Atalanta, o melhor ataque da Serie A. A Loba tem tido um percurso algo irregular, mas tem mais cinco pontos que na época passada e Paulo Fonseca tem sabido reestruturar uma equipa que perdeu progressivamente referências nos últimos anos. A lesão de Zaniolo será um duro revés até final, dado que nenhum outro jogador possui a sua criatividade, mas o plantel é consistente (Mkhitaryan, Under ou Kluivert terão de aparecer mais) e elementos como Perotti, Dzeko, Diawara ou Kolarov têm estado a bom nível. Também Pau López corrigiu uma lacuna na baliza, ao passo que a dupla Mancini-Smalling tem apresentando um rendimento fantástico (e até surpreendente) no eixo defensivo. No entanto, o último lugar de acesso à Champions pertence à Atalanta, que além de continuar na prova milionária, tem encantado a Bota com um ataque demolidor (49 golos, mais 12 que o líder e mais 8 que a Lazio) e o seu futebol perfumado. Ilicic começou de forma tímida, mas tem dado espectáculo ultimamente e formado a habitual dupla de sucesso com Papu Gómez, o elemento mais regular. Perante a lesão de Zapata, Muriel tem-se revelado um grande reforço, tal como Malinovskyi, ao passo que jogadores como Pasalic, Gosens (6 golos e 4 assistências) ou Toloi têm estado a um nível altíssimo.

De resto, importa olhar para algumas das surpresas e decepções da prova até ao momento. Nas surpresas poderemos incluir o 6.º classificado, o Cagliari, que se reforçou com critério (Nainggolan, Nández ou Simeone) e que chegou inclusivamente e intrometer-se no top-4; o consistente Parma de Bruno Alves, que revelou Kulusevski e continua tão regular como na época passada; e o Hellas Verona, equipa que por muitos era apontada aos lugares de descida, e que tem surpreendido tanto a nível pontual como exibicional, dado ser uma formação que, apesar dos nomes desconhecidos para muitos, trata bem a bola.

Em sentido contrário, o AC Milan continua sem demonstrar todo o potencial que tem. O investimento voltou a existir com a chegada de reforços como Rafael Leão, Bennacer, Rebic ou Theo Hernández, mas a aposta em Marco Giampaolo durou pouco e Pioli chegou para juntar os cacos e colocar o clube na rota certa. A Europa está a 4 pontos, mas o top-4 encontra-se já a 10 de distância. Para gáudio do San Siro, Zlatan Ibrahimovic regressou em Janeiro aos Rossoneri e poderá dar uma nova alma em campo à equipa além de ajudar no pobre registo de golos marcados (4.º pior ataque). Com a mesma turbulência segue o Nápoles. Apontado como um dos adversários da Juve em Agosto, os Partenopei têm desiludido e, após uma rebelião interna, derivada da má relação entre plantel e presidente, Ancelotti saiu e foi substituído por Gattuso. Os napolitanos seguem num modesto 11.º lugar, a 11 pontos do top-4 e, perante os sinais dados em campo, a retoma está para demorar. Nota ainda para a Fiorentina, que apostou forte no mercado (Chiesa permaneceu e chegaram Pulgar, Ribery, Pedro, K. P. BoatengBadelj, Lirola ou Cáceres), mas sem grande sucesso (14.º lugar e consequente despedimento de Montella), bem como para o Génova, que gastou um valor considerável no defeso e, além de já ir no 3.º treinador da época, encontra-se em zona de despromoção e terá uma luta acesa até final com clubes como a SPAL, o Brescia, o Lecce, o Sassuolo, a Udinese ou a rival Sampdoria, que não repetiu a boa primeira volta do ano passado.

Destaques:

Melhor XI: Strakosha (Lazio); Cuadrado (Juventus), De Vrij (Inter), Smalling (Roma), Gosens (Atalanta); Brozovic (Inter), Pjanic (Juventus), Luís Alberto (Lazio), Papu Gómez (Atalanta); Lukaku (Inter), Immobile (Lazio).
Melhor Jogador: Ciro Immobile (Lazio)
Jogador Desilusão: Suso (AC Milan)
Jogador Revelação: Kulusevski (Parma)
Confirmação: Lautaro Martínez (Inter)
Melhor Treinador: Antonio Conte (Inter)
Melhor Jogo: Cagliari 4-3 Sampdoria
Melhor Golo: Nainggolan (Cagliari 2-0 SPAL)

Rodrigo Ferreira

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