Visão de Mercado

Sempre adepto, nunca adapto

Depois de um clássico há sempre história. É normal que assim seja. E picardias. Claro que sim. São saudáveis e impulsionam a paixão dos adeptos em relação às equipas. Aumentam a intensidade com que se vive cada momento de jogo. Traduzem-se em amor ao clube. Nunca em violência, ou estupidez. E é isso que faz do futebol o desporto rei. 

Ah esperem, isto é o futebol português pá. Que parvoíce. Não, não, aqui é bonecos enforcados, casas afetas aos clubes vandalizadas, tochas para o meio das claques, pancada, atropelamentos, homicídios, árbitros, insultos 1 mês antes dos jogos, insultos 1 mês depois dos jogos e acima de tudo, nunca dar o braço a torcer. Assim sim. O bom futebol português, que se devia traduzir na cerveja e na bela da sandes não o é. Quer dizer, sandes sim, mas de biqueira. De preferência na boca do adepto adversário ou do polícia. Ou quem aparecer. Desde que se treine os pontapés fora de campo. 

Infelizmente vive-se o tempo do politicamente correto. E se em situações se vê assistir o extremo desta ideologia, o futebol tem uma capa de imunidade que espanta qualquer um. Quanto mais incorreto melhor, e os melhores discursos, políticos ou não, são proferidos para quebrar, denegrir ou diminuir os outros. A adaptação, que decorre do normal passar do tempo, aqui acontece de semana em semana. E é para ver como nos adaptamos ao próximo adversário e saímos por cima. “Há mails? Há erros? Há um abrir de pernas declarado quando jogam com outros? Aquele senhor insultou-me? Temos um arquivo desde 1975 de todos os passos em falta daqueles, para a eventualidade de darem um passo em falso? Temos bolas de golfe suficientes para mostrar a outro ser humano que escolheu o clube errado? Pessoal, já sei. E se entrássemos no balneário e partíssemos a boca aos gajos? Claro que a minha família não ia gostar, mas eu nem conheço a deles…”

Não querendo acreditar que os adeptos, na sua maioria, são seres não pensantes com tanto valor como a inteligência que demonstram, não posso apenas acusar o “adepto normal” de todo o panorama nacional. Não. Afinal a nossa sociedade chegou ao ponto em que os líderes de opinião mobilizam mundos. Mas claro que vivemos em Portugal. E como tal, os lideres de opinião são tudo menos líderes. E às opiniões faltam-lhe valores básicos. O problema é a estes senhores ligados aos clubes, que todos os dias deixam bem patente nas televisões e redes sociais a estupidez que representam, e que se comportam como pequenos cachorrinhos, ninguém lhes limpa a porcaria que fazem no tapete da sala. Pelo contrário. Os tais adeptos normais ouvem, juntam-se, e estragam todos o tapete da sala. 

Hoje em dia temos um futebol pequeno, pobre e a dar as últimas. Porque a preocupação nunca foi a bola. Mas o abate às outras cores. Querem exemplos? Enforcaram dois bonecos, mas afinal o Benfica também enforcou o Maxi Pereira aquando da troca para o Porto. Ou pedem-se árbitros estrangeiros, ideia que os portistas ridicularizam, quando na verdade se queixam todas as semanas de que os árbitros português beneficiam o rival. Nada é solução para uma cultura inexistente e para o jogo do mata. A falta de cultura vem de nós próprios, das organizações e de quem dá a cara pelo futebol português. A todos eles dou um conselho: A pesca é um desporto pouco dinamizado, e talvez precise de um pouco de toxicidade para reavivar. Canalizem os esforços para lá. A todos os adeptos dou outro: O futebol é um desporto que precisa de um campo, duas balizas, duas equipas e um árbitro. É só isto. Não são precisos animais, como podem ver. 

Agora alguém que deite fora o tapete da sala, que daqui a nada saímos todos de casa.

Alexandro Ferreira

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