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Os melhores, os piores e os que morreram na praia

Terminou 2019-20. Foi a temporada mais atípica de que há memória, pelas contrariedades impostas pela pandemia da Covid-19 que, não só obrigou a uma paragem na maioria dos campeonatos (sendo que alguns até terminaram mais cedo), como retirou o público das bancadas e reformulou as fases finais das competições europeias. Mas como sempre, foi um ano de sucesso para alguns, desilusão para outros e com muita emoção à mistura, pelo que é altura de olhar em retrospetiva e fazer o balanço geral do que se passou no futebol europeu.

Os Melhores:

Bayern: a temporada não começou de feição aos bávaros (Kovac foi despedido após uma goleada sofrida por 5-1 frente ao Frankfurt), mas assim que Flick assumiu a equipa transformou-se, tendo acabado a época como a equipa mais demolidora da europa (21 vitórias consecutivas) e conquistado o triplete (Liga dos Campeões, Campeonato e Taça).

Atalanta: Mais uma temporada de sucesso do conjunto de Gasperini que já tinha encantado o mundo no ano anterior, mas ainda abrilhantou mais o seu percurso este ano. Terminou a Serie A em 3º lugar (com uns incríveis 98 golos marcados), além de ter atingido os quartos-de-final da Liga dos Campeões em ano de estreia na competição e ter mostrado que é das equipas que melhor joga na Europa.

Marselha: A Ligue 1 nem chegou a terminar, mas para a equipa de Villas-Boas esta época foi um grande sucesso. Os marselheses conseguiram a melhor classificação desde 2012-13 ao terminarem na 2.ª posição no campeonato e vão jogar a Liga dos Campeões na próxima temporada, depois de vários anos onde a instabilidade reinou.

Sevilla: O melhor projeto de Lopetegui até à data. O Sevilla fez uma grande temporada na La Liga conseguindo ficar no top 4 com os mesmos pontos do Atlético, jogou sempre um futebol agradável, tendo a cereja no topo do bolo chegado com a já habitual (mas não menos meritória) conquista da Liga Europa.

Leeds: Bielsa morreu na praia no ano anterior, mas 2020-21 vai ser mesmo sinónimo de Leeds na Premier. Os Peacocks voltaram a realizar uma grande temporada num dos campeonatos mais exigentes do mundo (estiveram em lugares de promoção direta praticamente toda a época) e sagraram-se campeões do Championship, estando de volta ao principal escalão inglês 16 anos depois.

Os Piores:

Tottenham: Foi uma temporada de grande desilusão para os Spurs que, após chegarem à final da Liga dos Campeões no ano anterior, viram Pochettino ser despedido à 12ª jornada, deixando a equipa no 14.º lugar e fora da Taça da Liga. Chegou Mourinho, mas o português não foi sinónimo de milagres e, depois de ser eliminado pelo Norwich na FA Cup e vulgarizado pelo Leipzig na Champions, o melhor que conseguiu foi a qualificação para a Liga Europa na última jornada.

Valencia: Parecia que o pior já tinha passado para o conjunto do Mestalla com duas qualificações consecutivas para a Liga dos Campeões, a vitória na Taça na época passada e a estabilidade encontrada em Marcelino Toral, mas em Valencia a paz nunca dura muito. Depois de conflitos com a direção, Marcelino saiu, a equipa ficou do lado do ex-treinador e tudo isso contribuiu para uma época paupérrima que culminou com a 9.ª posição no campeonato.

Barcelona: O declínio blaugrana não começou esta época, mas atingiu este ano um ponto crítico. Valverde começou a época no comando técnico mas nunca convenceu e acabou despedido, e o seu substituto Setién ainda conseguiu piorar tudo, tendo perdido a liderança na Liga, sido eliminado da Taça e sofrido uma humilhação histórica frente ao Bayern na Champions. O Barça terminou a primeira época sem títulos desde 2008, num ano que quase assumiu contornos ainda mais trágicos, caso se tivesse confirmado a saída de Leo Messi .

Sporting: Os leões ainda se encontrarão a recuperar da tragédia de há 2 anos em Alcochete e como tal a exigência não era a mais elevada, mas este ano foi duro de mais para os sportinguistas. O Sporting começou a época a ser goleado pelo rival Benfica por 5-0 na Supertaça e, quando já ia no terceiro treinador da época, acabou humilhado pelo Alverca na Taça, caiu nas meias da Taça da Liga e foi eliminado nos 16 avos da Liga Europa de forma caricata. O treinador ainda mudou novamente, chegando Amorim numa transferência estratosférica para um treinador com 13 jogos na carreira e, apesar de a ponta final ter relevado melhorias, o Sporting somou mesmo a época com mais derrotas na história do clube (17) e terminou o ano no 4.º lugar.

Portimonense: O clube algarvio tinha um plantel cheio de talento e acima da média na Liga NOS e, como tal, esperava-se uma época tranquila da equipa de Portimão. Tal previsão não podia estar mais errada, visto que o Portimonense passou grande parte da época com a corda no pescoço e acabou mesmo em zona de despromoção, apesar de se ter salvo da descida na secretaria.

Morreram na Praia:

Leicester: Os Foxes foram durante a primeira parte da temporada uma das equipas que melhor futebol apresentou na Premier League, estiveram na zona de qualificação para a Champions em 33 das 38 jornadas (a maior parte no 2.º ou 3.º lugar), mas terminaram a época de forma inenarrável somando 4 derrotas e 3 empates nas 9 jornadas pós-pandemia e caíram para 5.º lugar na última jornada, falhando assim o acesso à liga milionária.

Brentford: À partida não se esperaria que o Brentford andasse intrometido na luta pela subida à Premier League, mas, após um começo de temporada irregular, os Bees engrenaram e, perante os muitos deslizes do West Brom, estiveram muito perto de conseguir mesmo a promoção direta, sendo que as duas derrotas nas duas últimas jornadas (bastava uma vitória para assegurarem a subida) deitaram tudo a perder e, como já vem sendo hábito no Championship, os playoffs foram cruéis para quem perdoa na época regular e ditaram que fosse o Fulham a subir de divisão.

Lazio: A equipa romana, depois de um 8.º lugar na época anterior, apareceu como outsider na luta pelos lugares cimeiros da Série A italiana, estando entre a 2.ª e a 3.ª posição durante a maior parte da época e foi mesmo quem mais ameaçou a Juventus na luta pelo título, mostrando uma pujança a certa altura difícil de acompanhar. Acontece que após, a paragem do Covid, a equipa foi-se muito abaixo e não conseguiu manter o ritmo com jogos de 3 em 3 dias, ficando a incógnita do que teria acontecido se o campeonato nunca tivesse parado.

Famalicão: Os famalicenses eram recém-chegados à Liga NOS após o 2.º lugar na Liga Pro no ano anterior e encantaram Portugal com um bom futebol a que se lhe ia juntando os resultados. A turma de João Pedro Sousa chegou mesmo a andar na liderança do campeonato e excedeu todas as expetativas iniciais (esteve durante todo o ano nos lugares europeus), mas o empate concedido frente ao Marítimo na última jornada, com um golo no último minuto, empurrou a equipa para um 6.º lugar fora da qualificação europeia e foi a definição de morrer na praia.

PSG: A equipa francesa dominou por completo internamente, vencendo Supertaça, Taça, Taça da Liga e Campeonato (e se a Ligue 1 tivesse terminado, provavelmente chegaria aos 20 pontos de vantagem sobre o 2.º classificado), mas vencer em casa já é muito pouco as aspirações da equipa de Tuchel. O plantel do PSG está montado para vencer a Liga dos Campeões e este parecia ser o ano de Neymar, Mbappé e companhia. A equipa estava mais coesa, o calendário foi acessível até final, mas no derradeiro jogo, os gauleses claudicaram frente ao Bayern e sentiram a desilusão de perder uma final europeia pela primeira vez.

Afonso Ascensão

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