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“Os donos disto tudo têm os dias contados”, avisa Oliveira

António Oliveira não se mostra satisfeito com o rumo atual que o futebol português tem vindo a tomar a lamenta que os responsáveis nada façam para tentar inverter esta situação, dando os exemplos da forma como a política dá ‘palpites’ sobre o desporto com gente que nem jogou à bola, mas também o peso da comunicação.

“Como dizia o mestre Pedroto temos de ter um olho bem aberto e o outro fechado”, referiu António Oliveira, concordando com o peso que a informação e a comunicação têm no futebol.

“Vivemos da informação e da comunicação. Antes, durante e depois dos jogos há informações que têm de chegar aos treinadores. Em alguns casos, logo ao intervalo há informações que têm de chegar aos treinadores”, explicou o ex-selecionador nacional, dizendo em termos de analogia que “hoje mais que nunca precisam da massa do padeiro para fazer o pão”.

“Precisam de informação toda detalhada do staff que tem de mostrar a realidade ao momento da tomada de decisão. O treinador gere, congrega e coordena mas não tem cabeça para abarcar tudo, para intoxicar. Tem muito mais em que pensar para tomar decisões de forma correta, série a coerente.”

Em declarações no programa Respect, com Francisco Chaló e Jerry Silva, António Oliveira falou também sobre as transferências de talentos, algo que anteriormente já tinha criticado, e lamenta os talentos precoces que sabem do “forno e viveiro” que é Portugal.

O ex-selecionador aproveitou para deixar um aviso aos “donos disto tudo”, criticando aqueles que apresentam verbas “ridículas” e que andam a “chantagear” os clubes num “ponto e o contrário noutro”.

“Não há um equilíbrio porque as pessoas já deixaram de pensar um bocadinho no futebol. Acho que as pessoas pensam no negócio, fazer dinheiro fácil, nas fortunas de que ouvimos falar e todos os dias acontecem. Mas é como eu costumo dizer. Os donos disto tudo também têm os dias contados. Haverá um momento em que haverá uma reconversão e as pessoas vão parar para pensar. Tenho experiência disso nas minhas próprias empresas”.

António Oliveira diz que entende a “pressão” a que estão sujeitos os clubes que precisam de dinheiro, até porque os clubes são geridos pelas suas SAD que são “empresas”.

“Por isso é que se contratam os grandes gestores, por isso é que se transferem os diretores desportivos como se fossem jogadores”, detalhou António Oliveira, alertando que “se não perceberem o que está a acontecer” e tentarem “perceber os biliões e a sua fonte” que entram nos mercados, os clubes podem enfrentar mais dificuldades.

Acreditando que este cenário irá sofrer alterações, António Oliveira recorda que há uns anos atrás, numa entrevista, já tinha mandado um”bitaite” sobre o que era previsível acontecer no mercado do futebol.

“Eu tinha dito logo que o caminho que o futebol estava a tomar era vender aos russos, aos chineses, aos árabes, enfim, vender a quem tem dinheiro. Não é a luz do Vieira, que eu não tenho, mas já se tinha mais ou menos percecionado que o caminho não era aquele. O caminho parecia uma autoestrada mas era afinal um caminho com curvas.”

Acusando os responsáveis de nada terem feito para “convergir”, António Oliveira admite que as pessoas andaram a “brincar como pequeninos que sabem a parte teórica”.

“Às vezes, dou comigo a pensar no que está a acontecer. Não consigo conceber como é que o futebol não passa de um servidor da política. Isto percebe-se mas não quero entrar por aí. Tudo que está relacionado com o futebol desde a relva eu perceciono com alguma facilidade”. Mas é o resto que Oliveira lamenta que esteja a acontecer.

O ex-selecionador critica, por exemplo, os governos que “fazem secretarias de Estado com gajos que nunca jogaram à bola” e lamenta que esta situação se vá arrastando.

“Sabem de futebol ou de algum desporto? Sabem falar comigo de futebol ou com alguém que jogou à bola ou com algum treinador ou jogador?”, questionou, dizendo que o Presidente da República tem conselheiros de Estado mas não tem um conselheiro sobre futebol que é uma atividade que tem peso no Produto Interno Bruto do país.

“Então nesses gabinetes não têm um Vítor Oliveira, um Manuel José, um Jesualdo [Ferreira], não têm um Mourinho, não têm um Fernando Santos a fazer parte para em matérias de futebol perguntarem o que eles acham”.

Nas declarações no programa Respect, António Oliveira disse que gostava que “as pessoas do futebol falassem tanto de política como os políticos agora falam de futebol”.

O antigo treinador diz que é necessária a realização de um congresso nacional “com pessoas do futebol” que projete a criação de gabinetes “mas com gente do futebol”.

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