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“Os clubes portugueses vão ter de se sacrificar e vender a um preço mais baixo”

Uma aposta maior dos clubes em “soluções internas” será resultado imediato da recessão que a pandemia de Covid-19 irá provocar no mercado de transferências de jogadores, segundo o presidente da Associação Nacional de Agentes de Futebol (ANAF).

Em declarações à agência Lusa, Artur Fernandes admitiu hoje que a pandemia irá “baixar o poder de compra do mercado mundial”, mas recusou que os jogadores saiam desvalorizados pela paragem forçada das competições em quase todo o mundo.

“Os clubes vendedores vão ter de se sacrificar um pouco e vender a um preço mais baixo, mas isso não significa que o jogador desvalorize. O valor do jogador mantém-se”, comentou o fundador da ANAF, admitindo que o futebol “não vai ser exceção” à recessão que se prevê para o período após a pandemia.

O antigo jogador do FC Porto sublinhou ainda que o impacto da crise no mercado de transferências vai depender “das escolhas de cada estrutura” clubística, mas assumiu que o número de transferências no próximo mercado “será menor”.

“Em todo o caso, os clubes podem sempre manter os planos quanto às posições a reforçar, mas investir menos”, sustentou Artur Fernandes, ao apontar os motivos pelos quais os diversos emblemas deverão apostar mais em “soluções internas”.

O agente FIFA recusou, por outro lado, quantificar o impacto que a pandemia de Covid-19 pode ter no mercado de transferências em geral, e no futebol português em particular, até porque tudo “irá depender do tempo que durar a paragem”.

No caso de as competições se prolongarem até ao final de junho, Artur Fernandes rejeitou que isso possa trazer dificuldades acrescidas aos agentes e lembrou que se o período da janela de transferências tiver de ser encurtado devido a esta crise “toda a gente terá de compreender essa necessidade”.

“A janela de transferências vai de 01 de julho a 31 de agosto, portanto não tem qualquer impacto. São 60 dias e são esses que estão previstos existir”, reforçou o líder da ANAF, lembrando que se os campeonatos já decorrerem em junho os agentes podem aproveitar esse período para “adiantar trabalho”.

Até lá, Artur Fernandes lembrou, várias vezes, que o mais importante é “resolver o surto” e salvaguardar a saúde de todos, incluindo dos próprios jogadores que, por estes dias, apresentam preocupações mais voltadas nesse sentido.

“As preocupações dos jogadores, neste momento, vão muito para além do futebol e estão direcionadas para as suas famílias e entes queridos. O futebol é um problema menor, apesar da preocupação em manterem a forma física, que faz parte, aliás, das recomendações para todos os cidadãos”, sublinhou Artur Fernandes.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 200 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.200 morreram. Das pessoas infetadas, mais de 82.500 recuperaram da doença.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 170 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

Depois da China, a Europa tornou-se o epicentro da pandemia, o que levou vários países a adotarem medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde elevou hoje o número de casos confirmados de infeção para 642, mais 194 do que no dia anterior, e deu conta da segunda morte no país em consequência da pandemia.

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