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O respeito ao processo, independentemente da idade

Julian Nagelsmann, aos 32 anos, e Gian Piero Gasperini, com 62, encaminharam as suas equipas aos primeiros quartos-de-final da Liga dos Campeões da sua história. Não sabemos como vão ser as próximas semanas mas esta época já ficou marcada por duas bonitas histórias com o dedo de dois dos treinadores da moda do futebol. De escolas diferentes, gerações opostas, mas com capacidade semelhante. São treinadores que respeitam o processo, independentemente da idade.

O “Baby Mourinho”, como era apelidado quando surgiu, eliminou o Mourinho Senior e de ‘baby’ já tem pouco. Nagelsmann, o treinador permanente mais jovem de sempre da Bundesliga, começou a sua história quando substituiu Huub Stevens no comando técnico do Hoffenheim com apenas 28 anos. Era até então o técnico dos juniores do clube (foi campeão em 13/14) e o que fez no Hoffenheim foi perto de um milagre. Hoffenheim ocupava a 17.ª posição a 7 pontos do último lugar que garantia a manutenção, mas Nagelsmann transformou aquela equipa e venceu 7 dos últimos 14 jogos, terminando 1 ponto acima dos playoffs de subida. O trabalho impressionante continuou na seguinte época e guiou o Hoffenheim à primeira campanha europeia da sua história ao terminar no 4.º lugar em 16/17, além de ter sido responsável pela subida considerável de rendimento de jogadores como Demirbay, Kramaric ou Sandro Wagner.

A sua tendência por clubes controversos continuou ao mudar-se para Leipzig para treinar a “equipa mais odiada da Alemanha” e o seu trabalho tem mantido a qualidade e rigor que pautam a sua ainda jovem carreira. O RB Leipzig chega a esta pausa forçada logo após atingir os quartos-de-final da Liga dos Campeões pela primeira vez na sua história (e de forma categórica) além de se manter na luta pela Bundesliga, e já vários jogadores sentiram o ‘efeito Naggelsmann’ – Klostermann, Nkunku e Sabitzer, principalmente, sofreram transformações incríveis.

Gian Piero Gasperini pertence a uma geração de treinadores italianos que nada coadunam com a sua proposta de jogo. Com uma experiência vasta no futebol italiano, ganhou reconhecimento após guiar o Génova da Serie B até à Europa num período de 7 anos onde revigorou a carreira de jogadores como Diego Milito ou Thiago Motta e chegou à Atalanta em 2016/2017. Uma equipa historicamente habituada ao sobe-e-desce entre Serie B e Serie A que, apesar de levar 5 temporadas consecutivas na primeira divisão, ia se resignando à luta pela manutenção. Gasp mudou tudo e em tempo recorde: um ano depois da sua contratação terminava o campeonato no 4º lugar superando Lazio, Milan ou Inter e La Dea regressava às competições europeias 26 anos depois.

Numa primeira fase destacou-se principalmente pela aposta na formação (a Atalanta tem um dos melhores centros de formação da Europa) que culminou numa valorização incrível de ativos e vendas recordes – Gagliardini, Conti, Kessié e Bastoni renderam quase 100M – e numa segunda pelo scouting de excelência que trouxe jogadores de todos os lados e a preços reduzidos (o plantel atual integra 13 nacionalidades diferentes e jogadores vindos dos mais variados campeonatos – Holanda, Suíça, Bélgica e Bulgária são alguns exemplos). A época passada terminou no 3.º lugar e como o melhor ataque da competição, o que valeu a primeira participação de sempre do clube na liga milionária e a campanha tem sido incrível. Com a eliminação sobre o Valência atingiram os quartos-de-final e tornaram-se nos primeiros estreantes a chegar tão longe desde a Lazio de 99/00 mantendo ainda o registo domesticamente, preparando-se para repetir a participação na próxima época e novamente com o maior número de golos marcados.

Gasperini e Nagelsmann podem ter 30 anos de diferença, falar diferentes línguas e ter estilos de liderança diferentes, mas há várias coisas que os liga um ao outro. A obsessão e teimosia de fazer valer as suas ideias de jogo, a preferência pelas dinâmicas ao invés do sistema (ambos vão apresentando diferentes vertentes táticas) e a influência que querem ter no jogo (não se coíbem de fazer substituições cedo e alterar posicionamentos ou movimentações de acordo com o jogo). E são, sobretudo, 2 homens que subiram meritoriamente, conquistaram o seu espaço e o respeito da elite do futebol, e que hoje, separados por 30 anos de idade, atingiram o melhor momento das suas carreiras e se proclamam como dos melhores no mundo.

Visão do Leitor: Afonso Ascensão

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