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O ‘homem das cambalhotas’ só anseia pelo regresso à normalidade no Covilhã

Pedrinho, roupeiro e motivo de interesse nos jogos do Sporting da Covilhã na II Liga de futebol, com cambalhotas para celebrar golos e corridas velozes atrás das bolas que saem do estádio, está ansioso pelo regresso à normalidade.

Pedro Almeida, 35 anos, “é mais do que o técnico de equipamentos, ele é parte do grupo”, sublinha o defesa Tiago Moreira. “Ele é um ícone do clube, conhecido nos campos por esse país fora”, acrescenta o lateral e amigo, à agência Lusa.

Sócio dos serranos, não perdia um jogo em casa, na companhia do irmão gémeo. Há sete anos passou a ser o roupeiro, a tratar dos balneários, conduz as carrinhas, alimenta os cães residentes no estádio.

É um faz-tudo que aos domingos se destaca pela ligação criada também com os adeptos. Quando a bola sai do Estádio Santos Pinto para as ruas íngremes, Pedrinho, pernas finas e ágeis, corre a grande velocidade e orgulha-se de não perder nenhuma.

O momento torna-se o centro das atenções. A cada ‘sprint’ ouve-se a reação das bancadas. Aplaude-se, incentiva-se, relata-se na rádio a ação de Pedro Almeida, como se de uma jogada importante se tratasse.

“Nós começamos o campeonato com 40 bolas, são 40 bolas que temos no fim. Ele é muito responsável, acarinhado e já é mítico no clube, uma figura de que todos gostamos”, elogia o presidente, José Mendes.

À Lusa, Gilberto, o capitão, destaca a evolução de Pedrinho tanto na comunicação como a nível motor ao longo dos anos de convívio com o plantel e enaltece o profissionalismo, “às vezes até demais, pressiona-nos para levar os equipamentos, porque quer tudo organizado”, conta.

“Ele é carismático e muito acarinhado. Faz as cambalhotas características e nos outros clubes já o conhecem. É uma pessoa especial, se olharmos às dificuldades que tem e a tudo o que consegue fazer”, acentua o médio serrano.

Por estes dias em que a vida está em suspenso devido à pandemia de Covid-19, Pedrinho sente saudades da azáfama quotidiana. Uma vez por dia abre o portão do estádio vazio, vê “se está tudo em ordem”, alimenta o Leão e a Estrela e regressa a casa.

“Eu trabalho na minha paixão. Estar em casa está a ser uma seca, estou farto”, lamanta.

Pedro Almeida conta que a primeira cambalhota para celebrar um golo lhe “saiu naturalmente, com a emoção do momento”, num jogo em Braga. Tornou-se “uma tradição”.

“É uma festa para as bancadas. As corridas atrás da bola são necessárias, para não as perder, mas sei que ajuda a dar ambiente aos jogos e ao clube”, acentua.

Daúto Faquirá, treinador dos ‘leões da serra’, considera Pedrinho “um símbolo” do Covilhã, “uma espécie de mascote, uma pessoa importante na coesão do grupo”, acrescentando a “ligação afetiva dos jogadores e adeptos com ele”.

Filó, atual técnico do Feirense, é um dos muitos ex-serranos com quem o técnico de equipamentos mantém contacto. Para o ex-treinador do clube, a ligação com Pedrinho é “uma amizade sentida” e sublinha o seu papel “agregador”.

“O futebol dá-lhe alegria e ele cria bom ambiente, é querido da equipa, dos adeptos e é muito engraçado. Os jogadores gostam de lhe pregar partidas, só que ele também faz essas partidas aos jogadores e isso ajuda a retirar alguma pressão”, enfatiza Filó.

Quando o comparam com o Paulinho do Sporting, Pedro Almeida responde ser “o Pedrinho do Sporting da Covilhã” e só quer que o novo coronavírus perca este jogo para que o futebol regresse à normalidade

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