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«O foco é ajudar tanto o Joni Brandão como a Efapel a ganhar a Volta» – Entrevista BnR com Sérgio Paulinho

Sérgio Paulinho é um dos mais consagrados atletas da história do ciclismo nacional e destacou-se ainda jovem ao alcançar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004 e manteve-se na alta roda do ciclismo internacional durante mais de uma década, quer conquistando etapas no Tour e na Vuelta quer sacrificando-se ao serviço de estrelas como Alberto Contador e Alexander Vinokourov. Em 2017, regressou ao pelotão nacional e, em entrevista ao Bola na Rede, o veterano atleta da Efapel recorda alguns dos momentos da já longa carreira.

Bola na Rede (BnR): Para começarmos, ia buscar um tema que até eu próprio só soube disto há pouco tempo e que é uma coisa pouco falada, que é o Festival Olímpico da Juventude Europeia de 1995 em que o Sérgio foi lá ganhar uma medalha. Conte-nos um bocadinho como é que surgiu essa oportunidade e como foi, na altura ainda tão jovem, ter essa oportunidade?

Sérgio Paulinho (SP): Se não me engano, o selecionador era o Orlando Alexandre. Aquilo foi em Bath, em Inglaterra, em que eram várias provas e a primeira prova foi a que eu ganhei, que era tipo uma cronoescalada, em que havia, não me recordo bem, mas penso que eram cinco ou seis grupos de dez corredores e, desses grupos todos, o melhor tempo ganhava. Eu ganhei o meu grupo, fiz o melhor tempo e, pronto, ganhei a medalha de ouro.

BnR: O Sérgio desde muito novo que anda pelas seleções.

SP: Sim, se não me engano, só mesmo no primeiro ano em que comecei a correr é que não fui à seleção, depois, a partir daí, até aos Elites ia quase todos os anos.

BnR: Dessas idas ao estrangeiro com a seleção enquanto jovem, alguma história engraçada que queira contar?

SP: Por exemplo, nesse ano em que foi as Jornadas Olímpicas da Juventude, comprei montes de recordações e deixei lá tudo (risos). Todas as seleções ficavam a dormir numa Universidade e no quarto onde eu estava deixei lá ficar tudo.

BnR: Isso é que é pena. Ainda nesta questão das seleções nas camadas jovens, o primeiro grande feito do Sérgio foi a medalha nos Mundiais. Hoje em dia, um ciclista que tenha uma medalha nos Mundiais de sub23 tem logo contrato garantido pelo World Tour. Na altura, o Sérgio chegou a ser contactado por alguma equipa estrangeira?

SP: Não, na altura, quando faço terceiro no Mundial de sub 23 no contrarrelógio, não recebi nenhum convite. Recebi depois vários convites foi quando fiz segundo nos Jogos Olímpicos, mas em Mundiais não recebi nenhum convite.

BnR: Falando deste tema, o que é que acha desta questão da juventude entrar direta no World Tour? Na sua altura que era tão difícil chegar lá e agora temos ciclistas que passam diretamente dos juniores para o World Tour, como é que vê isso?

SP: Talvez tenha uma opinião diferente por na minha altura isso muito raramente acontecer. Na minha opinião, acho que não é benéfico, porque ainda é um corpo de um ciclista júnior, ainda está em fase de adaptação, e passar de uma categoria júnior diretamente a profissional, em que os andamentos são completamente diferentes, vem-se de um método de treino diria razoável, ou se calhar ainda abaixo do razoável, para um método de treino muito exigente e em que o corpo ainda está em formação. Por isso, acho que, na minha opinião, não é benéfico. Mas, também sei que são os próprios corredores que querem passar logo a profissional, por isso, a partir daí, quando é o próprio corredor que quer passar, pouco se pode fazer.

A presença na seleção nacional foi uma constante ao longo da carreira
Fonte: Federação Portuguesa de Ciclismo

BnR: Depois desses Mundiais, antes de ir para o estrangeiro e antes dos Jogos Olímpicos, ainda esteve por cá mais uns tempos e, nessa altura, nas Voltas a Portugal de 2003 e 2004 também fez bons resultados. Que memórias tem desses tempos?

SP: Tenho boas memórias, ganhei duas etapas na Volta em 2004, ganhei também a Volta a Trás os Montes, nos Jogos faço segundo, eram anos diferentes,… não é que fossem anos melhores que agora, ou piores, acho que isto é como tudo na vida, tudo tem um ciclo e eram anos diferentes, em que desfrutava bastante com os meus colegas e adorei.

BnR: Lá está, depois dos Jogos Olímpicos, acaba por ter a oportunidade de ir para o estrangeiro, foi uma decisão fácil ou ficou na dúvida entre ficar cá e lutar por uma Volta a Portugal ou ir para o estrangeiro?

SP: Foi uma decisão fácil, eu sempre tinha um sonho de ir para o estrangeiro. Logo a seguir à Volta a Portugal, como se recorda eu estava na LA-PECOL, em que já havia um acordo para o ano seguinte com a Wurth em que dois ciclistas portugueses iriam no ano seguinte para a equipa Liberty Seguros-Wurth e, pronto, fui eu e o Nuno Ribeiro e acabou por ser uma decisão fácil na altura, porque esse era um dos meus sonhos, ainda para mais passar logo para uma equipa como a Liberty Seguros, que era a equipa do Manolo Sainz, claro que nem pensei duas vezes e aceitei logo.

BnR: No seu primeiro ano no estrangeiro, uma das coisas que o Sérgio fez foi correr o Paris-Roubaix, que não é uma prova que se diga muito adequada para ciclistas mais da montanha como o Sérgio. Como foi essa experiência?

SP: Eu, nesse primeiro ano, fiz Paris-Roubaix, fiz Tour de Flandres,… ou seja, todas as clássicas que havia para fazer fi-las. Na altura, o Manolo Sainz acabou por me explicar o porquê, foi para eu perceber e fazer uma adaptação ao ciclismo e foi essencialmente isso para ter uma noção do que era o ciclismo, do que eram as clássicas, porque a primeira parte da época fiz praticamente todas as clássicas que haviam para fazer. Na segunda parte, já foi mais provas por etapas e, então, ele acabou por fazer isso também para perceber onde é que eu podia estar mais incluído na equipa, que acabou por ser nas provas por etapas.

BnR: Mas, o pavé, uma vez para nunca mais.

SP: Sim, o Paris-Roubaix fiz uma vez e fiz-lhe uma cruz e nunca mais.

BnR: Nessa parte da sua carreira no estrangeiro, como era a questão da conciliação com a vida pessoal, estando longe de casa uma grande parte do ano?

SP: Ao inicio, foi o que mais me dificultou. Não é que tenha dificultado, mas… foi o que mais me custou. Fazia uma corrida de uma semana, vinha a casa dois dias, ia para outra corrida… Os primeiros cinco, seis meses da época acabou por ser sempre assim. Nesse ano, se não me engano, fiz cerca de 120 dias de competição e, no Tour de l’Avenir, tive uma queda e fiz uma fissura no cóccix e, então, acabei por acabar a época um bocadinho mais cedo. Mas, essa foi a parte que mais me custou, as viagens, o tempo fora de casa, foi o que mais me custou.

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