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Flick. Crescer na ‘sombra’ até recompor o domínio bávaro

O treinador Hans-Dieter Flick cresceu na ‘sombra’ do recente auge da seleção alemã e recuperou a aura do Bayern Munique, numa época que pode culminar neste domingo com a sexta conquista da Liga dos Campeões de futebol.

Os bávaros vão defrontar os franceses do Paris Saint-Germain na final da maior prova de clubes europeus, às 20:00, no Estádio da Luz, em Lisboa, ditando o sucessor dos ingleses do Liverpool, no ocaso de uma temporada afetada pela pandemia de covid-19 e assinalada por exibições avassaladoras de um octocampeão germânico em crescendo.

A 13.ª ‘dobradinha’ teve contributo especial de ‘Hansi’ Flick, o adjunto que passou a interino na substituição do técnico croata Niko Kovac em 03 de novembro de 2019, um dia após a goleada sofrida na casa do Eintracht Frankfurt (5-1), em jogo da 10.ª ronda da Bundesliga, que deixou o Bayern na quarta posição, a outros tantos pontos da liderança.

O treinador oriundo de Heidelberg, cidade universitária no sudoeste alemão, tinha voltado a Munique em julho e foi visto como a solução imediata para revitalizar uma dinâmica de tração ofensiva e compreender os egos de um balneário dividido, até por estar acostumado a uma identidade interpretada no seu discreto percurso de futebolista.

Antes de ser descoberto pelo clube mais laureado do país, o médio despontou no Muckenloch e no Neckargemund, entrou no radar da seleção sub-18 da ‘mannschaft’ e recusou em 1983 uma proposta do Estugarda, que viria a ser campeão na época seguinte, para concluir o estágio de bancário e alinhar mais dois anos pelo Sandhausen.

Sem ter chegado a internacional AA, arrecadou quatro Ligas, uma Taça da Alemanha e uma Supertaça pelo Bayern Munique na segunda metade dos anos oitenta e esteve perto da glória europeia em maio de 1987, quando viu Rabah Madjer e Juary inverterem o tento de Ludwig Kogl no Praterstadion rumo ao primeiro troféu internacional do FC Porto.

Hans Flick jogou 82 minutos ao lado dos lendários Andreas Brehme e Lothar Matthaus e assistiu na linha de baliza ao famoso calcanhar do avançado argelino, tendo saído da Baviera ao fim de sete golos em 139 duelos para rumar ao Colónia, no qual fez mais três temporadas e se reformou do futebol profissional com 28 anos, após várias lesões graves.

De regresso à cidade natal, alinhou pelos amadores do Victoria Bammental em 1994 e tornou-se lá jogador-treinador dois anos mais tarde, lançando uma nova etapa que subiu de exigência na viragem do milénio, ao impulsionar a ascensão do Hoffenheim, embora desprovida da tão desejada estreia nas divisões profissionais, que chegaria em 2007/08.

Aos cinco anos em Sinsheim e à licença técnica obtida em 2003, Hans-Dieter Flick juntou dois meses como adjunto dos austríacos do Salzburgo, sob alçada do conceituado italiano Giovanni Trapattoni e do diretor desportivo Lothar Matthaus, e recebeu um telefonema da Federação Alemã de Futebol (DFB) que lhe mudou a vida.

Em agosto de 2006, na sequência da saída de Jurgen Klinsmann do comando da seleção principal da Alemanha, ‘Hansi’ foi nomeado ‘braço direito’ do novo selecionador Joachim Low, que acompanhou até à conquista do Mundial2014, antecedida pelo segundo lugar no Euro2008, a medalha de bronze no Mundial2010 e as meias-finais do Euro2012.

Esses desempenhos promoveram-no a diretor desportivo da DFB, cargo que o afastou do trabalho de campo durante três anos, tal como aconteceu no regresso ao Hoffenheim, entre julho de 2017 e fevereiro de 2018, motivando um período sabático de 16 meses, que mediou o convite para regressar ao Bayern Munique e reativar o posto de adjunto.

Superado novo teste longe dos holofotes, o sucessor de Nico Kovac oleou a ‘máquina’ bávara e registou 32 triunfos em 35 desafios, a uma média de 3,29 golos por partida, encontrando-se num ciclo invencível de 20 jogos, que já pulverizou diversos recordes e confirmou duas conquistas domésticas e a renovação contratual até junho de 2023.

Aos 55 anos, o empático Flick resgatou a confiança de estrelas consagradas, improvisou a versatilidade de outras atletas influentes e potenciou jovens talentos, numa mistura de frieza alemã com o tecnicismo de outras latitudes, que pode igualar em Lisboa o inédito ‘triplete’ de 2012/13, conduzido por Jupp Heynckes, ex-timoneiro de ‘Hansi’ na Baviera.

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