Visão de Mercado

FC Porto, o bastião do (des)Norte

Encerrou o mercado de transferência. Para muitos aficionados, este período substitui a ausência do jogo, mantendo-o vivo no quotidiano de cada um. O frenesim pela busca de informação diária e o prazer pelo encontro com o rumor mais fresco, saciam o adepto mais desinquieto. É neste período que se renovam votos, que se afogam os desgostos e com que se renasce para uma esperança renovada. Independentemente do clube, todos anseiam o mesmo. Que no final a sua equipa tenha mais qualidade que no ano findo. No entanto, no meio de toda esta agitação, os adeptos podem ver melhor do que em qualquer outra altura, a qualidade da gestão dos seus clubes. Na verdade, é na política de contratações que podemos perceber muito do que se passa nos bastidores, para isso só precisamos de levantar a cabeça do rodopio de informação diário, onde nos vemos submersos.

Como portista, o mercado de transferências sempre marcou um período no calendário desportivo, muito especial. Chegamos a ser os reis da Europa neste ponto. Campeões da Champions mercado sim, mercado sim. Contudo a tendência nos últimos anos, tem mudado radicalmente. As grandes vendas são cada vez menos, os grandes craques a chegar são cada vez mais raros, mas acima de tudo a ausência de rumo começa a ficar cada vez mais às escâncaras. Podíamos atentar naquilo que têm sido os últimos mercados de transferências, onde no último por exemplo, perdemos praticamente meia equipa titular (Casillas, Felipe, Militão, Herrera, Brahimi), sendo que com isso apenas entraram 70.000.000 de euros e alguns dos substitutos a entrar sem tempo para evitar a catástrofe europeia de Agosto de 2019. A juntar a esta perda verificou-se também um decréscimo no nível da equipa. Apesar de tudo isto, havia uma enorme esperança no reino azul e branco, afinal tínhamos uma geração que havia sido campeã europeia meses antes e apesar de todas as baixas sofridas no plantel, a hipótese de ver os meninos da casa assumirem as despesas serviu para contrabalançar e amortecer as preocupações. Uma grande maioria esperou, que o ano transacto se tratasse de uma mudança de paradigma, que faria da formação a pedra basilar do projeto desportivo, fazendo regressar a mística há muito esmorecida. Até que chegamos ao dia 6 de outubro de 2020, que excecionalmente é também a data de fecho do mercado. Chegados a este ponto percebemos que o clube teve uma postura passiva durante 90% do mercado, sendo preciso chegar aos últimos dias para ver contratações em catadupa. Foi necessário chegar ao último dia de mercado (para vender para os principais campeonatos), para perder dois jogadores muito influentes a todos os níveis. Durante o defeso, percebemos que afinal a geração que ia suportar o clube afinal era aquela que seria rentabilizada para manter as principais pedras do plantel no curto prazo, mas afinal não foi nem um, nem outro. Da nossa geração de ouro já cá não estão Vitinha, Fábio Silva, Queirós e Esteves. Dos que ficam vemos que Leite parece que queima no Olival dada a vontade em despachá-lo, sobrando apenas Diogo Costa (que já tinha o seu espaço reduzido e viu ainda chegar Cláudio Ramos, não fosse o F.C. Porto ficar uma janela de mercado sem incorporar um novo guarda-redes). Sobram Romário Baró e Fábio Vieira, que com as entradas de última hora, provavelmente terão ainda menos espaço do que o que já tinham. Do plantel campeão o ano passado saem ainda Zé Luís, Aboubakar, Soares, Telles, Danilo todos por preços irrisórios para esta realidade. Ou seja, verificamos que a estratégia não passa pela formação, mas também não passa pela manutenção de ativos importantes, sendo que muitos deles saíram por verbas difíceis de explicar, mesmo em contexto de pandemia. Vemos no último dia de mercado o clube a garantir empréstimos de forma algo desesperada, para posições carenciadas e que daqui a um ano voltarão a ser um problema.

É verdade. Já fomos reis, já fomos os campeões da Champions no mercado. Mas nos últimos anos temos assistido a uma mudança que nos devia assustar a todos. Não existe política, não existe mística (perdemos dois capitães a custo zero em anos consecutivos), não existe formação e abdicamos de referências por valores irrisórios. Precisamos de meses para fechar um avançado que deve ter chegado para 4.ª opção. Encaixamos no imediato cerca de 30 000 000 de euros com 4 jogadores do plantel principal, quando um ano antes com a venda de um apenas podíamos ter chegado a esse valor. Enfim, é com grande pesar que vejo meu clube a passar de referência no mercado pelos melhores motivos para referência pelos motivos menos bons. Assusta-me porque neste momento assisto de fora e tudo isto me parece convergir para construção de um novo bastião do (des)Norte.

Visão do Leitor: Santander

O post FC Porto, o bastião do (des)Norte aparece primeiro no Visão de Mercado.

Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Desporto ao Minuto é um portal de notícias de desporto, que organiza as últimas notícias e posts das redes sociais dos clubes em Portugal e, em breve, de todo o mundo!

Desporto ao Minuto 2019, Notícias de Desporto de Última Hora

To Top