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CD Cova da Piedade 0–0 Académica OAF: Falta de acerto leva a igualdade justa

A CRÓNICA: DEPOIS DE UMA PRIMEIRA PARTE QUE PROMETEU, O SEGUNDO TEMPO DESILUDIU

Com ambas as equipas vindas de vitórias, o CD Cova da Piedade e a Académica AOF defrontaram-se na terceira jornada da Segunda Liga. O conjunto de Almada procurava o primeiro triunfo em casa e a equipa da Briosa queria somar a segunda vitória nos dois primeiros jogos, mas tendo em conta a exibição de ambas, o empate seria sempre o resultado final.
Como se esperava, a equipa da Académica dominou a posse de bola durante grande parte do primeiro tempo. Os comandados de Rui Borges pressionavam alto e apostavam no ataque organizado, mas o conjunto da Cova da Piedade ia controlando sem grande dificuldade as investidas visitantes.
Apoiados num 4-4-2 coeso, a equipa da casa abdicou da posse de bola de bom agrado. Com Femi Balogun e Arnold Nkufo no onze inicial, os almadenses lançavam contra-ataques perigosos que colocavam a defesa dos estudantes em sentido. O extremo congolense Arnold ia sendo o jogador mais ativo no conjunto da casa graças à sua velocidade e capacidade física. No entanto, e apesar das várias oportunidades, o resultado mantinha-se numa igualdade a zero.
Aos 36 minutos de jogo o treinador visitante, Rui Borges, foi obrigado a uma dupla substituição, tirando o médio Guima e o lateral-direito Mike Moura – que ia sendo um dos mais interventivos no flanco direito da Académica – para colocar Diogo Pereira e o lateral João Simões.
O segundo tempo viu a Académica novamente a entrar por cima. Com uma pressão alta que obrigava o Cova da Piedade a apostar num tipo de jogo mais direto, os estudantes começaram a aproximar-se da baliza defendida por Cléber Santana, mas a defesa da casa ia lidando com o perigo. Com o conjunto de Coimbra a crescer no jogo, António Pereira lançou os experientes Migue Rosa e Edinho, duas mudanças que surtiram efeito imediato, mas limitado.
Com estas duas mudanças, o Cova da Piedade voltou a ter critério na saída de jogo, mas continuava limitado e incapaz de criar reais lances de perigo, uma constante durante toda a segunda parte.

Aos 76 minuto, Rafael Furtado entrou para o lugar de Mohammed Bouldini e poucos minutos depois desperdiçou a melhor oportunidade do jogo ao não aproveitar um desentendimento entre Simão Jr. e Cléber Santana. O jovem central não cortou a bola e permitiu que o esférico chegasse ao avançado da equipa da Briosa, que, no entanto, permitiu a defesa do guardião da casa.
Os minutos finais do encontro viram uma queda brusca no nível qualitativo de ambas as equipas, o que justifica a igualdade a zero com que a partida terminou. O Cova da Piedade somou assim o seu quarto ponto nesta Liga Pro, os mesmos que a Académica.

 

A FIGURA

Fonte: Arnold Nkufo

Arnold Nkufo – O avançado de 28 anos foi dos atletas mais esclarecidos durante a partida e o principal motor do conjunto almadense. Combinando velocidade e força física, Arnold esteve perto de golo em duas ocasiões – ambas através de remates de longe – e foi um perigo constante na primeira parte. No segundo tempo, tal como o resto da sua equipa, acabou por perder algum fulgor.

 

O FORA DE JOGO

Segunda Parte – Depois de uma primeira parte que viu as duas equipas serem fiéis ao seu estilo de jogo enquanto procuravam o golo, o segundo tempo viu uma grande queda de intensidade e qualidade no nível de jogo. O treinador da Briosa atribuiu-o a um menor fulgor físico, mas ambas as equipas estiveram muito abaixo do esperado no segundo tempo.

 

ANÁLISE TÁTICA – CD COVA DA PIEDADE

Apesar da vitória frente ao Sporting da Covilhã, o treinador António Pereira decidiu fazer quatro alterações para este encontro frente à Académica. Mantendo o seu 4-4-2, a entrada de Arnold e Balogun na equipa inicial acrescentaram bastante velocidade e irreverência que causou dificuldades aos estudantes na primeira parte.

 

ONZES INICIAIS E PONTUAÇÕES
Cléber Santana (7)
João Amorim (6)
Yan Victor (6)
Simão Jr. (6)
Bruno Bernardo (6)
Alex Kakuba (5)
Pedro Santos (7)
Thabo Cele (6)
Femi Balogun (6)
Arnold Nkufo (7)
João Vieira (6)

SUBS UTILZADOS
Patrão (6)
Miguel Rosa (6)
Edinho (6)
Hugo Machado (-)
Wilson Kenidy (-)

 

ANÁLISE TÁTICA– ACADÉMICA AOF

O treinador Rui Borges apostou no mesmo onze inicial que bateu o Estoril na segunda jornada da Liga Pro, mas viu-se forçado a realizar duas substituições de forma prematura. A entrada de Diogo Pereira para o lugar de Guima acrescentou mais qualidade no momento de construção, mas faltou uma maior presença na área.

 

ONZES INICIAIS E PONTUAÇÕES
Mika (7)
Mike Moura (6)
Silvério (5)
Zé Castro (6)
Bruno Teles (7)
Ricardo Dias (6)
Guima (5)
Fabinho (7)
João Mário (7)
Bouldini (7)
Tranquina (6)

SUBS UTILZADOS
Diogo Pereira (7)
João Simões (6)
Pedro Pinto (6)
Rafael Furtado (6)

 

BnR NA CONFERÊNCIA

Antes da sua intervenção, o treinador do CD Cova da Piedade António Pereira dirigiu-se aos jornalistas presentes na conferência de imprensa para abordar uma notícia que dava conta da sua saída do clube e de dois possíveis sucessores. Após esse momento, começou de imediato a analisar o jogo.

António Pereira – Acho que o resultado está certo. Temos de perceber aqui que tenho quatro semanas de trabalho, chegam jogadores todos os dias. Hoje chegou um, para a semana chega outro, a semana passada chegou outro. Não é fácil. Com quatro semanas temos neste momento três jogos e quatro pontos. Parece-me que se está aqui a fazer aquilo que eram os objetivos com um orçamento reduzido para um terço daquilo que era o ano passado. Nós precisamos que o Cova da Piedade represente bem o distrito porque neste momento, em termos de campeonatos profissionais, é o único clube que nos representa aqui. É evidente que eu sou daqui, se calhar tenho mais responsabilidade que outros, mas hoje eu penso que a Académica não mereceu ganhar, e as poucas oportunidades que houve, penso eu e estou a falar aqui a quente, foram do Cova da Piedade.

Bola na Rede – Disse há pouco que a equipa não teve a frescura que esperava, muito pelo que se desgastou no jogo frente ao Estoril. Sabendo disso, por que razão optou por não realizar a última substituição?

Rui Borges – Não sou obrigado a fazer cinco substituições apesar do desgaste. Não vou trocar jogadores só por trocar, é nos momentos do jogo perceber o que temos no banco, o que não temos, o que nos podem dar, o que não nos podem dar, se a troca nos vai dar ou acrescentar algo diferente. Fizemos quatro substituições, foi decisão. O cansaço, estava nítido na nossa equipa que acusámos um bocado o cansaço, não estávamos tão frescos na nossa pressão alta como estivemos no jogo de domingo. Em casa frente ao Estoril pressionámos, passámos 90 minutos a pressionar num bloco médio-alto, e hoje não conseguimos, não estávamos tão frescos para pressionar, íamos mais no esforço do que na intensidade. Agora as substituições é uma questão de leitra de jogo. Entendemos fazer quatro, e foram quatro.

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