Visão de Mercado

A Posse de Bola

Estaticamente, a posse de bola é popularizada como indicador de performance positivo sendo também quantificada temporalmente e interpretada como o domínio do jogo por parte de uma das equipas ou o equilíbrio entre ambas.

Na prática, o futebol é regido por princípios de jogo que são constantes independentemente da estratégia e formação. Um dos princípios de jogo ofensivo é a “progressão” ou “penetração” que se resume a quebrar linhas de forma a chegar perto da baliza adversária e assim estar mais perto do objetivo principal que é marcar. Estas podem acontecer com bola, através do passe, corrida com bola e/ou drible ou sem bola através de movimentos entre linhas.

A desassociação da posse de bola aos princípios que regem o jogo, em especial a “progressão” é incorreta, contudo popular. É usada como justificação de resultados menos conseguidos ou em defesa de uma ideia de jogo que pode não estar a resultar.

No futebol moderno, o apogeu da posse de bola surgiu com o FC Barcelona de Pep Guardiola e cujo sucesso consequente influenciou enumeras ideias de jogo. Aos olhos mais desatentos, o sucesso ofensivo desta ideia de jogo passaria por um conjunto de passes para jogadores em posições de apoio, caracterizada pela paciência e eficiência e recorrendo a “passes para o lado”. Contudo, o sucesso desta estratégia, e seguindo a vertente popular de quantificar a posse de bola, prende-se em duas variáveis “Packing” e “Impect” introduzidas pelos ex-jogadores Stefan Reinartz e Jens Hegeler e que tem como objetivo qualificar a posse de bola.

“Packing” refere-se ao número de jogadores que ficam atrás da linha da bola depois de um passe e “Impect” refere-se ao número de defesas incluindo o guarda redes que ficam atras da linha da bola de um passe. Em suma, estas duas variáveis mostram a progressão da posse de bola e desta forma, a capacidade de uma equipa em quebrar linhas.

Concluindo, é fundamental ser consciente de que a qualidade de uma equipa no processo ofensivo, especialmente quando se trata da posse de bola não se resume ao tempo em posse mas ao que se faz com essa posse, as linhas quebradas e os “metros ganhos”. A apresentação estatística e o motivo de debate entre adeptos e comunicação social devem oscilar do tempo em posse para o que se fez com a posse de bola.

Visão do Leitor: Francisco Fernandes Teixeira  

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